A língua de cães dementes
Latindo em falsetes
Perseguem o cio das lobas
Promiscuamente
E na sarjeta explodem de prazer
Atrás de qualquer passante
Diletos fantasmas
Saídos de um céu de fogo
Da parafernalha
Do subterrâneo de um metrô
Mas se a taba é o refúgio da tribo
Aqui do apartamento mil tiros
E solidão
Os olhos de Brasília são quistos
Eu fumo pra chamar o sono
Mas o tédio enche os pulmões
Da veia dos infelizes
Escorrem projetos
Parece o mesmo sangue
Que escorre dos cedros
Num turbilhão de luas a sumir
Nossas gerações num vai e vem
De inundações
Sou apenas, cara, o teu revés
(Donato Sarmento/Rildo Medeiros)